Free Falling

Sem mais.
Na placa da biblioteca diz: “Para membros da comunidade, consulta local”. E ele era da comunidade, não bem dita, não estereotipada como pensam, só não estudava ali ou não estudava ali ainda, naquela universidade que lhe abria as portas, dando-lhe a chance de estar perto e ler seus livros favoritos, e descobrir mais e mais deles.
Era bonito. Imagine seu perfil preferido de pessoa. No meu caso seria garoto, mas caso contrário, imagine um homem. Ou melhor, menino. Ele não passava de 17, talvez 18. Não era muito alto, embora eu não chegasse à sua altura. Era magro, não seco. Tinha traços retos, e cabelos bem escuros. Sorriso fácil. Ou talvez não fosse nada disso. Talvez fosse feio, vocês devem saber como é o tal do amor platônico.
Todo o dia, pelo que eu soube, ele vinha à biblioteca e ficava por lá, lendo, compenetrado. Raras vezes parava e rabiscava algo em um bloco. Confesso que o observei uma ou duas vezes, sem lhe dar a devida atenção. Só passei a lhe ter em mente certo dia, furiosa.
A biblioteca passava por algumas reformas que mudaram o lugar das prateleiras e mesas de leitura. Acontece que o meu canto preferido, escondidinho, que eu achava ser o único a conhecer, foi invadido por mais um habitante. O menino da consulta local. Para quem quer que eu contasse a história, jamais acreditavam ser verdade. Ultraje, empáfia! Maravilha! Ele era lindo.
Por vezes me peguei pensando o porquê alguém como ele se dava ao trabalho de ir à noite ler em uma biblioteca. Não demorou nada para que eu fosse tomada pelo sentimento clássico de Platão. Justo. Passei a imaginar diálogos, cenas, ‘ois’ tímidos, e espirros de rinite, estes cada vez mais reais, aliás. Passei a ir todo dia ao local e imaginar os motivos que teriam feito ele não ir (Namorada? Opa, hoje tem jogo. Ah!) Ele sempre voltava. Alívio.
Coragem. Precisava de algo que fizesse jus à tamanha obra literária que li no período platônico da biblioteca. Confesso que foi o tempo que mais li na vida. Por vezes me pegava lendo Sófocles, e no outro, Camilo Mortágua, do Josué Guimarães.
Passei a reparar em tudo. No jeito de andar. Nos olhos. Ele não lia em constância, mas flutuava entre 3 ou 4 livros por vez, e, dias diferentes. Portanto, precisava ter sorte para colocar em prática meu plano mirabolante, digno de um conto, para falar com ele.
O tal plano consistia em pegar um dos livros que ele estivesse lendo e ler com nenhuma tentativa de esconder, para que ele viesse tirar satisfação. Note as falhas nesse ‘plano’. Ele poderia simplesmente pegar um dos outros. Poderia pegar outro exemplar, de uma edição diferente. Ou outro livro qualquer.
Sim, pensei nisso tudo, mas resolvi contar com a sorte. Afinal, que outra forma eu poderia achar, sem ser agressiva, uma intrusa. Ah, os platonismos tem dessas coisas. Analisei os quatro livros que ele lia, escolhi um que tinha apenas uma cópia (“É destino”, pensei). E me pus a ler.
Ele não apareceu naquele dia, quase fazendo parar meu coração de expectativa. Mas veio no dia seguinte. E eu lá com o livro. Acompanhei seus passos e notei a tristeza ao não achar aquele livro na estante. Isso aumentou minha ansiedade. Ele pegou um dos outros livros e veio para o meu canto, sentando numa cadeira perto da parede, fazendo com que eu me sentisse invisível.
Quando eu quase me concentrava por completo em alguma passagem do texto, esquecendo do fracasso que tinha sido o plano, ouvi um sonoro “Hei!”. Levantei os olhos. Ele havia deixado o outro livro de lado e vinha na minha direção. Olhei para todos os lugares possíveis e senti o rosto ruborizar. Timidez não controlada, amigos.
“Eu ia terminar esse livro hoje.”“Sorte sua”, eu disse, “Ele é ruim.”“Ruim é você pegar ele no dia que eu preciso. Você poderia ler Cortázar, igual ontem.” (Era anteontem).
Fiquei mais vermelha. Como se desse.
“Escuta, posso pelo menos saber teu nome?”
Ele foi pego de surpresa. O rosto sorridente passou rapidamente para dúvida. Ele refletiu.
“Talvez você tenha notado nomes nos capítulos”, ponderou, “o meu é igual a um deles”.“Será que eu vou ter a chance de acertar olhando o próximo capítulo?”, e passei a folhear o livro.
Ele pegou o livro da minha mão.
“Quem sabe?” E esboçou um sorriso.
Jaqueline.

Na placa da biblioteca diz: “Para membros da comunidade, consulta local”. E ele era da comunidade, não bem dita, não estereotipada como pensam, só não estudava ali ou não estudava ali ainda, naquela universidade que lhe abria as portas, dando-lhe a chance de estar perto e ler seus livros favoritos, e descobrir mais e mais deles.

Era bonito. Imagine seu perfil preferido de pessoa. No meu caso seria garoto, mas caso contrário, imagine um homem. Ou melhor, menino. Ele não passava de 17, talvez 18. Não era muito alto, embora eu não chegasse à sua altura. Era magro, não seco. Tinha traços retos, e cabelos bem escuros. Sorriso fácil. Ou talvez não fosse nada disso. Talvez fosse feio, vocês devem saber como é o tal do amor platônico.

Todo o dia, pelo que eu soube, ele vinha à biblioteca e ficava por lá, lendo, compenetrado. Raras vezes parava e rabiscava algo em um bloco. Confesso que o observei uma ou duas vezes, sem lhe dar a devida atenção. Só passei a lhe ter em mente certo dia, furiosa.

A biblioteca passava por algumas reformas que mudaram o lugar das prateleiras e mesas de leitura. Acontece que o meu canto preferido, escondidinho, que eu achava ser o único a conhecer, foi invadido por mais um habitante. O menino da consulta local. Para quem quer que eu contasse a história, jamais acreditavam ser verdade. Ultraje, empáfia! Maravilha! Ele era lindo.

Por vezes me peguei pensando o porquê alguém como ele se dava ao trabalho de ir à noite ler em uma biblioteca. Não demorou nada para que eu fosse tomada pelo sentimento clássico de Platão. Justo. Passei a imaginar diálogos, cenas, ‘ois’ tímidos, e espirros de rinite, estes cada vez mais reais, aliás. Passei a ir todo dia ao local e imaginar os motivos que teriam feito ele não ir (Namorada? Opa, hoje tem jogo. Ah!) Ele sempre voltava. Alívio.

Coragem. Precisava de algo que fizesse jus à tamanha obra literária que li no período platônico da biblioteca. Confesso que foi o tempo que mais li na vida. Por vezes me pegava lendo Sófocles, e no outro, Camilo Mortágua, do Josué Guimarães.

Passei a reparar em tudo. No jeito de andar. Nos olhos. Ele não lia em constância, mas flutuava entre 3 ou 4 livros por vez, e, dias diferentes. Portanto, precisava ter sorte para colocar em prática meu plano mirabolante, digno de um conto, para falar com ele.

O tal plano consistia em pegar um dos livros que ele estivesse lendo e ler com nenhuma tentativa de esconder, para que ele viesse tirar satisfação. Note as falhas nesse ‘plano’. Ele poderia simplesmente pegar um dos outros. Poderia pegar outro exemplar, de uma edição diferente. Ou outro livro qualquer.

Sim, pensei nisso tudo, mas resolvi contar com a sorte. Afinal, que outra forma eu poderia achar, sem ser agressiva, uma intrusa. Ah, os platonismos tem dessas coisas. Analisei os quatro livros que ele lia, escolhi um que tinha apenas uma cópia (“É destino”, pensei). E me pus a ler.

Ele não apareceu naquele dia, quase fazendo parar meu coração de expectativa. Mas veio no dia seguinte. E eu lá com o livro. Acompanhei seus passos e notei a tristeza ao não achar aquele livro na estante. Isso aumentou minha ansiedade. Ele pegou um dos outros livros e veio para o meu canto, sentando numa cadeira perto da parede, fazendo com que eu me sentisse invisível.

Quando eu quase me concentrava por completo em alguma passagem do texto, esquecendo do fracasso que tinha sido o plano, ouvi um sonoro “Hei!”. Levantei os olhos. Ele havia deixado o outro livro de lado e vinha na minha direção. Olhei para todos os lugares possíveis e senti o rosto ruborizar. Timidez não controlada, amigos.

“Eu ia terminar esse livro hoje.”
“Sorte sua”, eu disse, “Ele é ruim.”
“Ruim é você pegar ele no dia que eu preciso. Você poderia ler Cortázar, igual ontem.” (Era anteontem).

Fiquei mais vermelha. Como se desse.

“Escuta, posso pelo menos saber teu nome?”

Ele foi pego de surpresa. O rosto sorridente passou rapidamente para dúvida. Ele refletiu.

“Talvez você tenha notado nomes nos capítulos”, ponderou, “o meu é igual a um deles”.
“Será que eu vou ter a chance de acertar olhando o próximo capítulo?”, e passei a folhear o livro.

Ele pegou o livro da minha mão.

“Quem sabe?” E esboçou um sorriso.

Jaqueline.

“Fazer uma errata para os momentos em que fui impaciente e boba, em que deixei de escutar o outro, em que atropelei suas palavras ou sentimentos, porque estava cansada, ou sem tempo, ou simplesmente sem educação, sem carinho.
Ou quando, menina e adolescente não gostava de visitar uma de minhas avós, de quem hoje me lembro com enorme afeto e interesse. Foi uma das primeiras mulheres fotógrafas do seu tempo, apenas escondia isso dando ao seu ateliê o nome do marido. Lia muito e me emprestava biografias de mulheres famosas, princesas, atrizes. Mas, naquele tempo de avós menos divertidas, as visitas a ela eram acompanhadas de mil recomendações: fale alemão com a vovó, sorria, seja gentil, peça para ver o jardim e elogie as flores, não conte que a mamãe ontem foi jogar cartas com as amigas e não a convidou. Enfim, eu já saia de casa com receio de fazer alguma coisa errada. Hoje acho que, se fizesse, ela e eu iríamos nos divertir.

Uma errata necessária seria para todas as vezes em que senti culpa por não estar fazendo nada, no meio da tarde, exausta, sentando ou deitando no sofá, pernas para cima, vendo televisão, ou lendo um livro, ou apenas olhando pela janela, nisso que Freud chamava “atenção flutuante”, que em certas pessoas, como em mim, são horas de grande e silenciosa produtividade.

Errata para as vezes em que eu podia ter viajado mas não fui, por covardia; em que devia ter falado e não falei, por preguiça; em que devia ter me calado e falei, por ser estabanada e tender a falar antes de refletir.

Uma errata para as muitas decisões atrapalhadas, tantas indecisões desnecessárias, tantas lágrimas por tolices  tanta mágoa por infantilidade.
Errata para os erros e também para o que não foi erro, mas desatenção, inabilidade, incompetência mesmo.

Mas como a vida não é uma dissertação de mestrado, nem tese de doutorado, nem livro  sendo escrito (embora eu ache que muito a gente mesma decide e escolhe), já que ela é uma batalha que nem sempre se vence, não adianta querer escrever errata alguma. É preciso contar com o perdão dos outros e a anistia da gente mesma. Apesar das visitas feitas com má vontade ou adiadas eternamente, das pequenas más-criações idiotas, dos telefonemas não dados, do sorriso; apesar das mentirinhas, das ironias, das maledicências (mesmo inocentes, mas nenhuma é inocente de verdade), das negligências, da preguiça, das queixas e das falhas inevitáveis – temos de tocar em frente.

Mas bem que se poderia ter a permissão, a possibilidade, o enorme conforto de escrever ou fazer para todas as imperfeições cometidas, uma bela errata, porque afinal somos apenas uma pessoa, e o velho provérbio chatinho diz que podemos ser anistiados; afinal errar é coisa desse ex-quadrúpede que se meteu a andar ereto, e ainda por cima a pensar, e virou humano.”
Jaqueline.
“Fazer uma errata para os momentos em que fui impaciente e boba, em que deixei de escutar o outro, em que atropelei suas palavras ou sentimentos, porque estava cansada, ou sem tempo, ou simplesmente sem educação, sem carinho.
Ou quando, menina e adolescente não gostava de visitar uma de minhas avós, de quem hoje me lembro com enorme afeto e interesse. Foi uma das primeiras mulheres fotógrafas do seu tempo, apenas escondia isso dando ao seu ateliê o nome do marido. Lia muito e me emprestava biografias de mulheres famosas, princesas, atrizes. Mas, naquele tempo de avós menos divertidas, as visitas a ela eram acompanhadas de mil recomendações: fale alemão com a vovó, sorria, seja gentil, peça para ver o jardim e elogie as flores, não conte que a mamãe ontem foi jogar cartas com as amigas e não a convidou. Enfim, eu já saia de casa com receio de fazer alguma coisa errada. Hoje acho que, se fizesse, ela e eu iríamos nos divertir.
Uma errata necessária seria para todas as vezes em que senti culpa por não estar fazendo nada, no meio da tarde, exausta, sentando ou deitando no sofá, pernas para cima, vendo televisão, ou lendo um livro, ou apenas olhando pela janela, nisso que Freud chamava “atenção flutuante”, que em certas pessoas, como em mim, são horas de grande e silenciosa produtividade.
Errata para as vezes em que eu podia ter viajado mas não fui, por covardia; em que devia ter falado e não falei, por preguiça; em que devia ter me calado e falei, por ser estabanada e tender a falar antes de refletir.
Uma errata para as muitas decisões atrapalhadas, tantas indecisões desnecessárias, tantas lágrimas por tolices  tanta mágoa por infantilidade.
Errata para os erros e também para o que não foi erro, mas desatenção, inabilidade, incompetência mesmo.
Mas como a vida não é uma dissertação de mestrado, nem tese de doutorado, nem livro  sendo escrito (embora eu ache que muito a gente mesma decide e escolhe), já que ela é uma batalha que nem sempre se vence, não adianta querer escrever errata alguma. É preciso contar com o perdão dos outros e a anistia da gente mesma. Apesar das visitas feitas com má vontade ou adiadas eternamente, das pequenas más-criações idiotas, dos telefonemas não dados, do sorriso; apesar das mentirinhas, das ironias, das maledicências (mesmo inocentes, mas nenhuma é inocente de verdade), das negligências, da preguiça, das queixas e das falhas inevitáveis – temos de tocar em frente.
Mas bem que se poderia ter a permissão, a possibilidade, o enorme conforto de escrever ou fazer para todas as imperfeições cometidas, uma bela errata, porque afinal somos apenas uma pessoa, e o velho provérbio chatinho diz que podemos ser anistiados; afinal errar é coisa desse ex-quadrúpede que se meteu a andar ereto, e ainda por cima a pensar, e virou humano.”

Jaqueline.

Quem me conhece só de vista deve me achar a pessoa mais estranha do mundo. Essa foi a conclusão que cheguei enquanto cruzava a cidade e fazia o caminho casa escola de sempre essa manhã. Será que por fora, pareço com o que sou (ou me sinto) por dentro? Procuro, em meio a ideias sem sentido, a liberdade, essa palavra que o meu sonho alimenta, talvez ninguém me explique, só me entenda, e tanto faz. Gosto de acreditar que todos nós estamos aqui por alguns motivos. Eu tenho os meus, e costumo anotá-los em folhas aleatórias por aí, para que nunca, nunca mesmo, eu os esqueça. Sejamos honestas, se sentir só mais uma adolescente perdida em seus próprios sentimentos no mundo, machuca. Às vezes, num dia como hoje, parece que tudo demora uma eternidade. Não faz sentido guardar memórias sem lembranças, faz? E apesar de rir e não me importar, tem dias que gostaria de ser diferente, mas isso é impossível. Estou presa ao caráter com qual nasci, e mesmo assim tenho certeza de que não sou má pessoa. Faço o máximo para agradar a todos, mais do que eles suspeitariam num milhão de anos. Tudo poderia ser mais simples, fazendo dos abraços mais verdadeiros. Quero sentir nada, mas ao mesmo tempo sentir tudo. Lá estou eu, mais uma vez. Olhando além da janela, nas ruas em movimento, como se estivesse procurando por alguém, sabendo que o mundo é pequeno demais para as minhas lembranças. Às vezes me lembro de que quando era mais nova, me diziam que tudo e todos deveriam ser alguma coisa quando crescessem. Nunca me definiram o que era exatamente essa “coisa”, tentei procurar entender, mas decidi apenas escrever. Então entre todas as outras coisas que eu poderia ser, escolhi ser apenas eu e tudo que segue além de mim, e eu realmente gosto disso, torna-se desafiador talvez. Hoje, peço que torne-me lembrança, a melhor que você consiga imaginar, sem muitas pretensões ou obrigações. Sem um futuro traçado ou um passado que nos prenda a alguém além de nós mesmos, vou enxergar o mundo com meus próprios olhos, tornando-me lembrança, mais uma vez.
Jaqueline.

Quem me conhece só de vista deve me achar a pessoa mais estranha do mundo. Essa foi a conclusão que cheguei enquanto cruzava a cidade e fazia o caminho casa escola de sempre essa manhã. Será que por fora, pareço com o que sou (ou me sinto) por dentro? Procuro, em meio a ideias sem sentido, a liberdade, essa palavra que o meu sonho alimenta, talvez ninguém me explique, só me entenda, e tanto faz. Gosto de acreditar que todos nós estamos aqui por alguns motivos. Eu tenho os meus, e costumo anotá-los em folhas aleatórias por aí, para que nunca, nunca mesmo, eu os esqueça. Sejamos honestas, se sentir só mais uma adolescente perdida em seus próprios sentimentos no mundo, machuca. Às vezes, num dia como hoje, parece que tudo demora uma eternidade. Não faz sentido guardar memórias sem lembranças, faz? E apesar de rir e não me importar, tem dias que gostaria de ser diferente, mas isso é impossível. Estou presa ao caráter com qual nasci, e mesmo assim tenho certeza de que não sou má pessoa. Faço o máximo para agradar a todos, mais do que eles suspeitariam num milhão de anos. Tudo poderia ser mais simples, fazendo dos abraços mais verdadeiros. Quero sentir nada, mas ao mesmo tempo sentir tudo. Lá estou eu, mais uma vez. Olhando além da janela, nas ruas em movimento, como se estivesse procurando por alguém, sabendo que o mundo é pequeno demais para as minhas lembranças. Às vezes me lembro de que quando era mais nova, me diziam que tudo e todos deveriam ser alguma coisa quando crescessem. Nunca me definiram o que era exatamente essa “coisa”, tentei procurar entender, mas decidi apenas escrever. Então entre todas as outras coisas que eu poderia ser, escolhi ser apenas eu e tudo que segue além de mim, e eu realmente gosto disso, torna-se desafiador talvez. Hoje, peço que torne-me lembrança, a melhor que você consiga imaginar, sem muitas pretensões ou obrigações. Sem um futuro traçado ou um passado que nos prenda a alguém além de nós mesmos, vou enxergar o mundo com meus próprios olhos, tornando-me lembrança, mais uma vez.

Jaqueline.

Esse texto é um desabafo, é uma reunião de coisas que desde que eu era criança tenho vontade de falar pro mundo. Sempre foi muito claro pra mim o que eu queria fazer no meu futuro e foi muito claro também que a escola às vezes não se torna exatamente o seu lugar. Eu não entendo o porque da hierarquia do aprendizado, o porque da matemática ser mais importante do que artes e o porque dessa matéria ser tão menosprezada e até mesmo reprimida por muitas pessoas. A criatividade precisa ser estimulada desde cedo. A cada dia que passa eu tenho mais medo do que a nossa futura geração se tornará. Eu vejo gente da minha idade sem perspectiva de vida nenhuma, com um potencial de criação enorme, mas totalmente desperdiçado com bebidas, putaria e futilidades. E não me venham falar que a babaquisse humana é culpa da nossa política corrupta ou da falta de desenvolvimento do país. Esse texto é pra você adolescente que tem acesso infinito de conhecimento e cultura, mas que por preguiça ou falta de interesse deixa tudo de lado pra passar a tarde inteira assistindo tv e jogando video game. Já deixou de ser um fator isolado e virou questão social, é preciso leitura, curiosidade, vontade de criar e de produzir coisas novas. Mesmo sabendo que o mundo tá uma merda, eu ainda tenho esperanças e duvidando ou não, ainda existem pessoas boas no planeta, que procuram e querem fazer a diferença. Fazer um texto revoltado não vai modificar uma sociedade alienada, invejosa e preconceituosa, mas eu realmente espero que abra os olhos de alguma minoria ou que ascenda uma luz dentro de quem está preparado pra fazer a diferença. Criando, produzindo e inventando.

Jaqueline.


Já pensou se a vida fosse uma foto? Calma aí, eu não digo uma única fotografia, mas várias. Não seria tudo mais simples, poder cortar as partes chatas da vida e ir direto ao ponto? Como seria bom eternizar momentos felizes e jogar fora os momentos tristes. Das coisas mais comuns à sua rotina, se tornariam momentos incríveis. No mínimo seria engraçado, quase tão legal quanto ter super poderes, mas pensando bem, você é responsável pelos momentos que você tem e eles, são consequências da sua escolha. E não seria jogando os momentos ruins fora que isso mudaria. Tudo depende de onde você coloca o seu foco, claro que não existem garantias ou fórmulas que funcionem, então como saber o caminho certo a seguir? O jeito é arriscar, confiar na nossa intuição e talvez até contar com a sorte. Acho que essa é a grande brincadeira da vida. E se por um acaso você se sentir perdido, lembre-se que você não está sozinho nessa, basta olhar ao redor. Uma coisa é certa, o tempo passa e quando você estiver olhando suas velhas fotos é que você vai saber quais momentos realmente valeram a pena. E aí, como vai ser a foto do dia de hoje?
Jaqueline.

Já pensou se a vida fosse uma foto? Calma aí, eu não digo uma única fotografia, mas várias. Não seria tudo mais simples, poder cortar as partes chatas da vida e ir direto ao ponto? Como seria bom eternizar momentos felizes e jogar fora os momentos tristes. Das coisas mais comuns à sua rotina, se tornariam momentos incríveis. No mínimo seria engraçado, quase tão legal quanto ter super poderes, mas pensando bem, você é responsável pelos momentos que você tem e eles, são consequências da sua escolha. E não seria jogando os momentos ruins fora que isso mudaria. Tudo depende de onde você coloca o seu foco, claro que não existem garantias ou fórmulas que funcionem, então como saber o caminho certo a seguir? O jeito é arriscar, confiar na nossa intuição e talvez até contar com a sorte. Acho que essa é a grande brincadeira da vida. E se por um acaso você se sentir perdido, lembre-se que você não está sozinho nessa, basta olhar ao redor. Uma coisa é certa, o tempo passa e quando você estiver olhando suas velhas fotos é que você vai saber quais momentos realmente valeram a pena. E aí, como vai ser a foto do dia de hoje?

Jaqueline.

Mania de jogar o cabelo pro lado. Mania de sorrir quando sente alguém olhando demais. Mania de coçar os olhos e olhar o visor do celular como se houvesse chegado alguma coisa e não viu. Mania de estudar escutando música e revirar os olhos sempre que escuta, ouve ou vê alguma bobagem. De sorrisos, de olhares, de vozes e cheiros. Mania de achar que nem tudo é aquilo que se vê. De imaginar situações com quem nunca viu e se arrepiar, sorrir, se desesperar por isso. Mania de fechar os olhos antes de dormir e te desejar boa noite em pensamento, dorme bem, sonha comigo, te quero muito e bem.

— Caio Fernando de Abreu 

(Source: soprecisavaserfeliz, via desamando)

Amanheceu e o que antes era só um novo dia nascendo, se tornou apenas o sol conquistando o seu espaço. Havia um milhão de razões para ela não querer sair da cama, mas parece que o universo não a deixaria dormir, abriu todas as janelas para um dia azul brilhante. Respirou fundo, sorriu. Sorriu ainda mais quando, sem esforço, lembrou de uma porção de gente. Não garanto que foi feliz para sempre, mas o sorriso era lindo quando pensou em todas e outras coisas, um riso bobo, sem jeito, sem ninguém que colocasse defeito pelo dente separado ou pelo motivo errado. Sem buscar um porquê, apenas estar, sentir e viver. Sem roteiros, acentos, vírgulas e destinatários, vivendo no imaginário, brincando com uma parte dela mesma que desejava compreender, descobrindo que nada, absolutamente nada se tornava mais necessário do que a essência, essência e mais essência. Ninguém conseguiria enxergar o que ela sentia. Isso era dela. Exclusivamente dela. E mesmo que não acreditem, essa é a única verdade que faz diferença no final. Mas e eu? Estou bem aqui, vendo o que você vê, sentindo o que você sente. Na sua alma. Nos seus olhos, sem começo ou final, deixando tudo subentendido, para que apenas quem realmente me sente, consiga entender.

Jaqueline.

Amanheceu e o que antes era só um novo dia nascendo, se tornou apenas o sol conquistando o seu espaço. Havia um milhão de razões para ela não querer sair da cama, mas parece que o universo não a deixaria dormir, abriu todas as janelas para um dia azul brilhante. Respirou fundo, sorriu. Sorriu ainda mais quando, sem esforço, lembrou de uma porção de gente. Não garanto que foi feliz para sempre, mas o sorriso era lindo quando pensou em todas e outras coisas, um riso bobo, sem jeito, sem ninguém que colocasse defeito pelo dente separado ou pelo motivo errado. Sem buscar um porquê, apenas estar, sentir e viver. Sem roteiros, acentos, vírgulas e destinatários, vivendo no imaginário, brincando com uma parte dela mesma que desejava compreender, descobrindo que nada, absolutamente nada se tornava mais necessário do que a essência, essência e mais essência. Ninguém conseguiria enxergar o que ela sentia. Isso era dela. Exclusivamente dela. E mesmo que não acreditem, essa é a única verdade que faz diferença no final. Mas e eu? Estou bem aqui, vendo o que você vê, sentindo o que você sente. Na sua alma. Nos seus olhos, sem começo ou final, deixando tudo subentendido, para que apenas quem realmente me sente, consiga entender.

Jaqueline.

Abra logo essa janela e deixe o vento de fora entrar. Esqueça o que dói e sinta o que acalma. Abrace forte quem você tem, não só quem você acha que ama. Escreva uma carta de amor e mande para o seu endereço. Veja só, finalmente uma boa notícia, você sempre terá você. Já é tarde e as flores caíram, eu sei, mas todo mundo sabe que o outono também tem seu charme. Não seja egoísta vai, deixe o mundo te conhecer. Bagunce o guarda-roupa, seja indecisa, vista suas peças prediletas. Assim como os seus sentimentos, elas nem precisam combinar ou fazer algum sentido. Isso é você. Não viva a vida de ninguém além de você. É desperdício de tempo, e esse, não tem como comprar na farmácia da esquina. Perdoe alguém antes de pedir perdão. Tire a poeira da palavra amor todos os dias pela manhã, mas não esqueça de todo o resto. Guarde  suas inseguranças em uma pequena caixa. Use-a para acalçar seus sonhos. Olhe para o céu com a certeza de que mesmo com sol, as estrelas sempre estarão lá. Acredite em mim, no mundo, alguém sempre vai estar esperando por você. Não com medidas exatas de uma outra metade, mas com um sorriso e um abraço forte para aqueles dias difíceis de estômago vazio e cabeça cheia.
Jaqueline.

Abra logo essa janela e deixe o vento de fora entrar. Esqueça o que dói e sinta o que acalma. Abrace forte quem você tem, não só quem você acha que ama. Escreva uma carta de amor e mande para o seu endereço. Veja só, finalmente uma boa notícia, você sempre terá você. Já é tarde e as flores caíram, eu sei, mas todo mundo sabe que o outono também tem seu charme. Não seja egoísta vai, deixe o mundo te conhecer. Bagunce o guarda-roupa, seja indecisa, vista suas peças prediletas. Assim como os seus sentimentos, elas nem precisam combinar ou fazer algum sentido. Isso é você. Não viva a vida de ninguém além de você. É desperdício de tempo, e esse, não tem como comprar na farmácia da esquina. Perdoe alguém antes de pedir perdão. Tire a poeira da palavra amor todos os dias pela manhã, mas não esqueça de todo o resto. Guarde  suas inseguranças em uma pequena caixa. Use-a para acalçar seus sonhos. Olhe para o céu com a certeza de que mesmo com sol, as estrelas sempre estarão lá. Acredite em mim, no mundo, alguém sempre vai estar esperando por você. Não com medidas exatas de uma outra metade, mas com um sorriso e um abraço forte para aqueles dias difíceis de estômago vazio e cabeça cheia.

Jaqueline.

(via heymarinaa)

Esquece o que o mundo e o senso comum pensam sobre você. Esquece se você foi mal na prova. Esquece seu ex namorado. Esquece seus rolos antigos. Esquece daqueles que ainda povoam sua mente trazendo o pior de você. Esquece que seu celular tá arranhado. Esquece que você errou um tweet. Esquece daqueles que falam que você fala demais. Esquece da hora. Esquece e demora. Esquece porque a vida foi feita pra quem sabe reinventar. Esquece que o mundo é uma merda. Esquece porque eu tenho pressa. Esquece do mundo que esquece da gente sem pestanejar. Esquece de tudo. Esquece de nada. Esquece todo mundo que insiste em te achar imaturo demais. Esquece quem acha que sabe de tudo. Esquece quem acha que engana você. Esquece se todos pensam que você não sabe de nada. Esquece do tempo. Esquece o momento. Esquece das fórmulas chatas de Física pra decorar. Esquece de tudo que te faz parar. Esquece de tudo que fez até hoje. Esquece de tudo e começa de novo. Esquece que existe alguém pra te odiar. Esquece que existem pessoas perfeitas. Esquece porque todos vão te decepcionar. Esquece daqueles que já não lembram de você. Esquece porque no final é a gente quem sofre. Esquece dos anos passados. Esquece o tempo perdido. Esquece o passado vivido de um ser querido. Esquece o que te incomoda. Esquece de tudo que implora. Esquece de tudo de uma vez por todas pra continuar. Esquece de tudo que te faz chorar. Esquece essas coisas e mais muitas outras. Esquece de mim. Esquece de você. Esquece pra poder lembrar. Esquece pra se transformar.
Jaqueline.

Esquece o que o mundo e o senso comum pensam sobre você. Esquece se você foi mal na prova. Esquece seu ex namorado. Esquece seus rolos antigos. Esquece daqueles que ainda povoam sua mente trazendo o pior de você. Esquece que seu celular tá arranhado. Esquece que você errou um tweet. Esquece daqueles que falam que você fala demais. Esquece da hora. Esquece e demora. Esquece porque a vida foi feita pra quem sabe reinventar. Esquece que o mundo é uma merda. Esquece porque eu tenho pressa. Esquece do mundo que esquece da gente sem pestanejar. Esquece de tudo. Esquece de nada. Esquece todo mundo que insiste em te achar imaturo demais. Esquece quem acha que sabe de tudo. Esquece quem acha que engana você. Esquece se todos pensam que você não sabe de nada. Esquece do tempo. Esquece o momento. Esquece das fórmulas chatas de Física pra decorar. Esquece de tudo que te faz parar. Esquece de tudo que fez até hoje. Esquece de tudo e começa de novo. Esquece que existe alguém pra te odiar. Esquece que existem pessoas perfeitas. Esquece porque todos vão te decepcionar. Esquece daqueles que já não lembram de você. Esquece porque no final é a gente quem sofre. Esquece dos anos passados. Esquece o tempo perdido. Esquece o passado vivido de um ser querido. Esquece o que te incomoda. Esquece de tudo que implora. Esquece de tudo de uma vez por todas pra continuar. Esquece de tudo que te faz chorar. Esquece essas coisas e mais muitas outras. Esquece de mim. Esquece de você. Esquece pra poder lembrar. Esquece pra se transformar.

Jaqueline.

“Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa.”

— Caio Fernando Abreu

(Source: anjodepedra, via geovaniolucena-deactivated20120)

Utopia
Até das palavras comecei a fugir. Corri para longe de cada uma delas. Elas revelam parte de mim que nem eu mesma fui capaz de conhecer. Eu sou nostálgica demais, pareço ter perdido alguma coisa, não se sabe onde e quando. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas, nele cabem sonhos de todos os tamanhos. Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo que desejei, refaço, colo rio e vivo, porque a força de dentro é maior. É maior porque é do bem, e nisso, sim, acredito até o fim. Tá vendo a felicidade ali na frente? Corro, abraço e sinto, como se tudo pudesse esperar mais um pouco, como se o que realmente importasse fosse apenas a sinceridade da minha imaginação. Procurando apenas não entender, porque “entender” é a prova do erro. Tentando conhecer esse meu fascínio pelo mundo, amando algo sem ao menos saber a receita, descobrindo que assim como o mundo, o amor que eu sinto também é óbvio.
Jaqueline.

Utopia

Até das palavras comecei a fugir. Corri para longe de cada uma delas. Elas revelam parte de mim que nem eu mesma fui capaz de conhecer. Eu sou nostálgica demais, pareço ter perdido alguma coisa, não se sabe onde e quando. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas, nele cabem sonhos de todos os tamanhos. Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo que desejei, refaço, colo rio e vivo, porque a força de dentro é maior. É maior porque é do bem, e nisso, sim, acredito até o fim. Tá vendo a felicidade ali na frente? Corro, abraço e sinto, como se tudo pudesse esperar mais um pouco, como se o que realmente importasse fosse apenas a sinceridade da minha imaginação. Procurando apenas não entender, porque “entender” é a prova do erro. Tentando conhecer esse meu fascínio pelo mundo, amando algo sem ao menos saber a receita, descobrindo que assim como o mundo, o amor que eu sinto também é óbvio.

Jaqueline.

“Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem. Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém. Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também. Ultimamente eu só tô querendo ver o bom que todo mundo tem. Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem. Tô feliz, tô despreocupado, com a vida eu tô de bem.”

— Caio Fernando Abreu

(Source: que-seja-leve, via butterflyoflove)